À Margem da Escuridão: A Noite que Redefiniu Manhattan!
- Vander Teles

- 3 de nov. de 2022
- 3 min de leitura
Janeiro me encontrou deixando Vegas para trás e, após uma jornada de cinco horas, aterrissei na gelada Manhattan, NY. Se Vegas já estava fresca a 5ºC, Nova York me recebeu com gélidos -10ºC às 5h30 da manhã, marcando minha estreia na “Big Apple” com um arrepio de emoção e frio.

Ao desembarcar no aeroporto JFK (John F. Kennedy), segui as indicações até o metrô, desembarcando na estação Jamaica, onde me deparei com a atmosfera externa:
A escuridão ainda reinava, o dia lutando para nascer. Uma multidão se movia em duas direções uma oposta a outra, vestida em tons monocromáticos, sob a tênue luz.
Segui o fluxo rápido em direção aos elevadores, enquanto à minha esquerda uma luz avermelhada chamava minha atenção. À medida que me aproximava, o calor irradiado me envolveu. Tentei capturar o momento com meu celular, mas a pressa da multidão não permitiu. Ao chegar ao elevador, o vento cortante zunia em meus ouvidos, desafiando até mesmo minhas luvas. Segui em frente, rumo à estação.
Após um dia de exploração pelo Central Park e uma imersão no Metropolitan Museum, retornei ao quarto para descansar e me preparar para a noite.
Embora meu hotel estivesse reservado para o dia seguinte, antecipei minha chegada devido às oscilações nos preços das passagens aéreas e encontrei um quarto pelo Airbnb. Uma decisão acertada, que me permitiu explorar a 9ª com a 53ª. No entanto, uma surpresa aguardava-me. A pessoa que me recebeu não correspondia à foto, o que gerou um leve desconforto inicial. Mas o quarto era acolhedor, e logo me senti em casa. Bem instalado de banho tomado me preparei para um jantar reconfortante, retornei ao quarto para uma noite tranquila.
No entanto, o despertar veio mais cedo do que o esperado, e antes das 6h, já estava imerso nas notificações do celular. Mas algo interrompeu a tranquilidade matinal: gritos, batidas fortes. O barulho se aproximava rapidamente e, em questão de segundos, a porta do meu quarto foi arrombada, mergulhando-me na escuridão, uma voz gritava “Don’t move, don’t move!”, ecoou uma voz. O quarto ainda escuro e a única coisa que conseguia enxergar era a luz da lanterna na cara. Uma segunda pessoa entrou, identifiquei pela voz que era uma mulher, ela me levantou e me algemou.
Após mais de uma hora em pé, mergulhei em um interrogatório sombrio. Diante das autoridades, senti-me como protagonista de um pesadelo distorcido, longe de casa e completamente vulnerável. O ambiente repleto de policiais e cães farejadores adicionou uma camada de tensão palpável, enquanto minha mente lutava para processar a surrealidade da situação. Em dado momento houve um alvoroço a tensão aumentou e uma pessoa saiu do apartamento algemado acompanhado por políciais todos estavam colados nele impedindo qualquer movimento que não fosse andar na direção correta e de cabeça baixa. Foi depois desse momento que as coisas se acalamaram. Fui então libertado das algemas e mesmo após a libertação, tive que levantar a porta que caiu sobre minha mala e arrumei-a o mais rápido que pude, como se cada segundo prolongasse meu encontro com o medo. O eco do terror continuava a ressoar em meu coração enquanto eu abandonava o prédio, como se estivesse fugindo de um cenário de algum crime que eu não cometi.

Embora tenha sido uma experiência assustadora, a neve que começou a cair suavizou a tensão do momento. Sentado em um café, observando a cidade se vestir de branco, percebi que cada momento em Manhattan é único, repleto de primeiras vezes e memórias inesquecíveis.
E assim, com um novo dia se iniciando, afastei-me daquela estranha sensação, guardando Manhattan no coração como uma aventura que jamais esquecerei.
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